segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Português-10 temas essenciais


Redação e respostas das questões discursivas
Abaixo algumas características esperados dos vestibulandos ao redigir um texto - que pode ser a resposta discursiva de uma questão ou mesmo a redação.

-1)Análise e interpretação de texto: Pode ser através de uma crônica de jornal, da literatura tradicional ou de uma poesia. O importante é saber ler, compreender e apresentar sua capacidade de raciocínio relacionando textos verbais e visuais, temáticos e figurativos. "As faculdades sabem que um bom leitor será um bom universitario. Às vezes o aluno sabe a matéria e mesmo assim erra, mas é porque ele não sabe interpretar o que leu", diz Maria Lourdes. Uma dica é identificar as palavras-chaves do texto e questionar-se sobre o tema exposto.

-2)Coerência e coesão: São os principais instrumentos para fazer uma redação que seja clara, compreensível e que transmita determinada idéia. Além disso, essas duas características são essenciais na interpretação de texto da prova da português. A resposta deve ser coerente com suas idéias, em relação ao seu objetivo, ao leitor que pretende atingir e ao gênero textual que está desenvolvendo.


-3)Intertextualidade: É comum encontrar, nas provas, referências de um texto em outro. "A correlação entre significados de dois assuntos no cenário cultural está em todo vestibular", diz Platão. "É importante questionar, nesse caso, se os autores querem dizer a mesma coisa".

Gramática
Apesar de raramente cair na prova questões específicas sobre regras gramaticais, existem temas essenciais que são abordados com freqüência dentro de questões sobre interpretação de texto. "O que se espera do estudante é que ele saiba utilizar a gramatica aplicada ao dia-a-dia", diz Maria Lourdes.

-4)Ambigüidade: Admitir mais de um sentido ao contexto compromete a compreensão de todo o conteúdo, gera dúvidas e até conclusões equivocadas. "Ambigüidade é um dos temas mais abordados ao longo das provas, seja para escrever uma redação, uma análise de texto ou uma resposta simples", garante a professora do Objetivo.

-5)Correlação verbal: "É preciso ficar atento ao uso dos tempos e modos. Merece uma atenção especial aqueles casos em que existe descompasso entre a variante culta e as populares, como é o caso de 'ter', 'ver' e derivados", atenta Liliana.

6)Modo imperativo: O mais comum de se explorar o tema na prova é na mistura de tratamento. "Uma frase como 'me liga que eu quero falar com você' pode ser abordada. Numa questão dessa, o aluno pode mostrar ainda que sabe fazer a colocação do pronome na frase".


-7)Estilística: As questões sobre figura de linguagem, figura de pensamento e figura de sintaxe são temas presentes em vestibulares, seja em questões pontuais ou dentro de um texto explorado pela prova.

Literatura
"É com a literatura que os vestibulares avaliam o candidato que tem capacidade de entender o que lê e de aplicar o que sabe, e não o que decora", avisa Maria Lourdes. Vejas os temas mais prováveis de aparecer na prova:


-8)Machado de Assis: "O centenário de morte do autor é um forte indicativo de que os vestibulares focarão suas obras e sua influência", aposta a professora Liliana. "Dom Casmurro", "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Memorial de Aires" são livros de Machado que figuram nas listas dos processos seletivos.

-9)Guimarães Rosa: Os cem anos de nascimento do autor também deve marcar presença nas avaliações. "Pode cair na prova uma questão que peça para o vestibulando relacionar temas de 'Sagarana' com 'Dom Casmurro'. Além disso, pode haver perguntas sobre simbologia", indica Maria Lourdes. Ela exemplifica com o conto "O Burrinho Pedrês": "nesse caso, o aluno deve identificar símbolos como cautela e sabedoria no texto".

10)Movimentos literários: Os vestibulares se concentram em três movimentos principais: romantismo, realismo e modernismo. Uma dica para estudar os movimentos e aprofundar em determinada geração é checar em qual deles estão inseridos os autores das listas de livros recomendados para leitura do seu vestibular.

Revista Vestibular

Dicas de Português


Até as 22h ou até às 22h?
"O resultado das eleições será conhecido até as 22h".A maioria dos estudantes, ao escrever uma frase parecida com a apresentada no título, ficaria em dúvida quando a colocar ou não o acento grave indicador de crase em "as 22h". Acredito que colocariam o acento. E você, caro internauta, colocaria o acento grave ou não? Vamos à explicação: o vocábulo crase provém do grego krâsis, cujo significado é ação de misturar, mistura de elementos que se combinam num todo. Para nós, lusófonos, é a contração da preposição a com os artigos definidos a, as ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo:
a + a = à
a + as = às
a + aquele = àquele
a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquiloVejamos alguns exemplos:1. "Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito" (quem obedece, obedece a alguém);2. "Assisti à peça teatral escrita por Mário Bortoloto" (quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo);3. "Não aspiro àquela vaga, mas à que foi ocupada por Oriolando" (quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a algo);4. "Cheguei ao cinema às 19h50" (chegar, ao indicar hora exata, exige a preposição a).Ocorre, porém, que, em muitas situações, outra preposição é usada, e não o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador de crase, em virtude da falta da preposição a. Vejamos alguns exemplos:1. "Cheguei após as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após;2. "Estou aqui desde as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.Há, porém, uma preposição que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição até. Vejamos alguns exemplos:1. "Ontem, fomos até o parque caminhar" (ou até ao parque);2. "Dormi até o meio-dia" (ou até ao meio-dia).Tal combinação não é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação de até com a acontece com o objetivo de evitar ambigüidade, ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo até, além de ser preposição, também pode ser advérbio com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber qual dos dois foi usado. Veja o seguinte exemplo:"A enchente inundou o bairro todo, até a igreja"Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas situações:- A enchente inundou o bairro todo, mas não a igreja: chegou até ela e parou;- A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja.Se a primeira opção for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda, advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se o uso da preposição a em combinação com até, evitando, assim, o duplo sentido: "A enchente inundou o bairro todo, até à igreja".Caso a verdadeira seja a segunda opção, recomenda-se o uso de inclusive: "A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja".A frase apresentada no início do texto não apresenta ambigüidade. Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase, mas não há necessidade dele. "O resultado das eleições será conhecido até as 22h".A maioria dos estudantes, ao escrever uma frase parecida com a apresentada no título, ficaria em dúvida quando a colocar ou não o acento grave indicador de crase em "as 22h". Acredito que colocariam o acento. E você, caro internauta, colocaria o acento grave ou não? Vamos à explicação: o vocábulo crase provém do grego krâsis, cujo significado é ação de misturar, mistura de elementos que se combinam num todo. Para nós, lusófonos, é a contração da preposição a com os artigos definidos a, as ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo:
a + a = à
a + as = às
a + aquele = àquele
a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquiloVejamos alguns exemplos:
1. "Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito" (quem obedece, obedece a alguém);
2. "Assisti à peça teatral escrita por Mário Bortoloto" (quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo);
3. "Não aspiro àquela vaga, mas à que foi ocupada por Oriolando" (quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a algo);
4. "Cheguei ao cinema às 19h50" (chegar, ao indicar hora exata, exige a preposição a).
Ocorre, porém, que, em muitas situações, outra preposição é usada, e não o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador de crase, em virtude da falta da preposição a. Vejamos alguns exemplos:
1. "Cheguei após as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após;
2. "Estou aqui desde as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.
Há, porém, uma preposição que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição até. Vejamos alguns exemplos:
1. "Ontem, fomos até o parque caminhar" (ou até ao parque);
2. "Dormi até o meio-dia" (ou até ao meio-dia).
Tal combinação não é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação de até com a acontece com o objetivo de evitar ambigüidade, ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo até, além de ser preposição, também pode ser advérbio com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber qual dos dois foi usado.
Veja o seguinte exemplo:
"A enchente inundou o bairro todo, até a igreja"
Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas situações:
- A enchente inundou o bairro todo, mas não a igreja: chegou até ela e parou;
- A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja.
Se a primeira opção for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda,
advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se o uso da preposição a em combinação com até, evitando, assim, o duplo sentido:
"A enchente inundou o bairro todo, até à igreja".
Caso a verdadeira seja a segunda opção, recomenda-se o uso de inclusive: "A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja".
A frase apresentada no início do texto não apresenta ambigüidade. Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase, mas não há necessidade dele.
Revista Educação

Alimentação

Temperatura do corpo, gorduras, carboidratos e proteínas

Você já percebeu que a temperatura do seu corpo permanece quase sempre a mesma, com pequenas variações? Normalmente a temperatura de nossos corpos fica em torno de 37o C, seja em locais frios ou quentes. Na realidade nosso organismo produz energia térmica que nos mantém aquecidos. Mas você pode se perguntar: como produzimos essa energia?

E a resposta é simples: por meio da alimentação. Essa energia, utilizada
para aquecer os corpos, andar, correr, pular e fazermos tudo o que quiser é obtida por um processo conhecido como respiração celular. Trata-se de uma reação química, um tipo de combustão, que ocorre no interior de cada uma das nossas células. A glicose, obtida pela alimentação, reage com o oxigênio, obtido pela respiração, liberando energia e produzindo água e gás carbônico.

Os cientistas sabem que quantidade de calor é produzida por uma certa quantidade de alimento. Veja: uma das formas de medir calor que conhecemos é a caloria. Uma caloria é a quantidade de energia térmica necessária para elevar em um grau a temperatura de um grama de água. Uma barrinha de cereal não está "quente", mas e tem 80 calorias. O que é então a caloria dos alimentos?


Energia química e energia térmica
As ligações químicas existentes entre os átomos dos compostos que formam os alimentos "guardam" energia química, que pode vir a ser transformada em energia térmica. Se aquela barrinha de cereal for toda convertida em energia térmica, ela irá elevar em oitenta graus a temperatura de um grama de água, ou elevar a temperatura de 80 gramas de água em um grau.

Entretanto, muitas vezes comemos e armazenamos alimentos na forma de gordura, pois não estamos precisando de energia naquele momento e fazemos uma "poupança para o futuro".

Calor é energia térmica em trânsito entre dois corpos. Podemos dizer, genericamente, que o calor é uma forma de energia. Nossos músculos também precisam de energia para realizar seus movimentos e com isso ficamos aquecidos. Gastamos energia quando corremos, pulamos, nadamos, pedalamos. Então, fazer exercícios "queima calorias", gasta energia armazenada. Contudo, mesmo quando estamos descansando gastamos energia para manter nosso coração batendo, os rins funcionando, nosso cérebro pensando ou sonhando e nossos pulmões bombeando gases. Até mesmo quando estão parados, nossos músculos necessitam de energia.


Gorduras e carboidratos
Experimentalmente, os cientistas provaram que alguns tipos de alimentos fornecem mais energia que outros, como é o caso das gorduras e carboidratos. Os açúcares e o amido são conhecidos como carboidratos. Não é difícil saber quando estamos nos alimentando de alimentos ricos açúcar: tudo o que é doce ou adocicado contém açúcar - mel, doces, laranja, banana, maçã, uvas, líquidos adoçados, etc.

Já os alimentos farináceos são aqueles ricos em amido: macarrão, bolo, pão, batatas, arroz, os diferentes cereais. Como a respiração celular é uma combustão, podemos dizer que os carboidratos são o "combustível" dos nossos corpos. Após a digestão, são absorvidos na forma de açúcares mais simples (glicose).

A manteiga, a margarina, o azeite, os óleos e as frituras em geral são alimentos gordurosos. As carnes possuem gorduras, porém alguns tipos de carne possuem muito mais gordura que outras. Ovos, sementes e queijo também são alimentos que possuem gordura. As gorduras ou lipídeos são muito importantes para a formação das membranas celulares e são utilizadas como fonte de energia na falta dos carboidratos.

As gorduras e os carboidratos são compostos pelos mesmos elementos químicos (carbono, hidrogênio e oxigênio). Entretanto, as quantidades de cada elemento, em seus grupamentos atômicos, são diferentes. As gorduras possuem menor quantidade de oxigênio que os carboidratos.

Nos alimentamos principalmente de carboidratos. Então, nossa energia vem desses alimentos, classificados, juntamente com as gorduras, como alimentos energéticos.


Trabalho e clima
A quantidade de alimentação que uma pessoa necessita depende do tipo de vida e da região que habita. Pessoas cujo trabalho "usa" muito o corpo, que fazem muito esforço físico (carpir um terreno, juntar o gado, jogar futebol), precisam de maior quantidade de energia do que aquelas que realizam trabalhos sedentários, como ficar sentado na frente de uma escrivaninha usando o computador ou escrevendo um livro (isso também vale para quem só se diverte jogando videogame...).

Do mesmo modo, as pessoas que vivem em regiões de clima frio alimentam-se de comidas mais gordurosas do que os indivíduos que vivem em regiões de clima quente, pois seus corpos gastam maior quantidade de energia para manter-se aquecidos.


Proteínas e aminoácidos
Outros tipos de alimento possibilitam o crescimento e a manutenção de nossos corpos. Estes alimentos são conhecidos como alimentos plásticos, pois se destinam a formar nossos organismos e a substituir as perdas sofridas por eles. As proteínas que compõe os nossos corpos formam-se no interior de nossas células a partir dos aminoácidos, pequenos grupamentos atômicos obtidos em parte pela alimentação.

São necessários vinte diferentes aminoácidos para que nossos corpos produzam milhares de proteínas. Os alimentos que contém proteínas fornecem os oito aminoácidos que não somos capazes de produzir (aminoácidos essenciais) e possibilitam aos nossos corpos renovar o sangue, fazer certos materiais que mantém nossos corpos funcionando bem, cicatrizar nossas feridas, etc. Muitos alimentos contêm proteínas: carnes, leite, queijo, ovos, peixe e alguns vegetais, como soja e feijão.

A proteína pode ser considerada a base para a construção de nossos corpos. Os aminoácidos não são armazenados no organismo, sendo necessário ingerir constantemente alimentos que contenham proteínas. Os grupamentos atômicos das proteínas são formados por carbono, hidrogênio e oxigênio, como os carboidratos e gorduras. Entretanto, as proteínas possuem também o nitrogênio. Por vezes contém também fósforo e enxofre. Mas os resíduos de dieta protéica são ricos em compostos nitrogenados, os quais são tóxicos para o organismo.

Enfim, podemos observar que todos os alimentos são plásticos e energéticos ao mesmo tempo, embora alguns sejam mais plásticos que energéticos e outros mais energéticos que plásticos.
Revista Educação

Abelhas

Morfologia das produtoras de mel
Quem aprecia uma boa colherada de mel com frutas e iogurte no café da manhã tem muito o que agradecer às abelhas. O mel nosso de cada dia é produzido por elas e muitas das frutas que consumimos só chegam às nossas mesas graças à polinização realizada por esses insetos.

Além do mel, outros produtos apícolas são utilizados pelos seres humanos, como a cera, o pólen e a geléia real. A vida das abelhas - em uma sociedade altamente organizada - garante a elaboração de tais produtos.


Características morfológicas
As abelhas, assim como as vespas e as formigas, são insetos pertencentes à ordem Hymenoptera. O nome da ordem é uma palavra de origem grega e se refere à presença de asas membranosas. O grupo das abelhas, vespas e

-formigas é caracterizado por:


-antenas bem desenvolvidas;

-partes bucais geralmente alongadas e modificadas para a ingestão de néctar das flores (as mandíbulas permanecem funcionais);

-tórax reduzido, geralmente fundido ao primeiro segmento abdominal;

-constrição entre o primeiro e o segundo segmentos abdominais;

-fêmeas com ovipositor geralmente modificado para cortar, perfurar ou picar.



Metamorfose das abelhas
Os insetos da ordem Hymenoptera passam por uma metamorfose completa durante o desenvolvimento. Outros insetos também sofrem metamorfose completa. Você já deve ter visto uma lagarta e uma borboleta. Elas nada mais são do que estágios diferentes no desenvolvimento da borboleta.

A lagarta é a larva da borboleta. Os insetos que sofrem metamorfose completa são chamados de holometábolos. Nesse tipo de metamorfose encontramos quatro tipos de estágios: ovo, larva, pupa e adulto. Durante a metamorfose os insetos sofrem uma mudança radical em suas formas, tecidos e órgãos.

Cynthia Santos*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Revista Educação

sábado, 20 de dezembro de 2008

Aristóteles

O mundo da experiência, as quatro causas, ética e política

Estátua de Aristóteles diante da Universidade de Freiburg, na Alemanha


Em 1996, descobriu-se em Atenas, Grécia, o sítio arqueológico onde funcionou o Liceu - a escola fundada por Aristóteles (384-322 a.C.), para concorrer com a Academia, a escola anterior, fundada por seu antigo professor, Platão (427-347 a.C.). A fundação do Liceu não reflete nenhuma ingratidão do discípulo com seu mestre, que por sinal já havia morrido cerca de dez anos quando a escola aristotélica surgiu (336 a.C.).

Aluno de Platão, a quem reconhecia o gênio, Aristóteles passou a discordar de uma idéia fundamental de sua filosofia e, então, o pensamento dos dois se distanciou. Talvez seja esse o ponto de partida para se falar da obra filosófica aristotélica.

Platão concebia a existência de dois mundos: aquele que é apreendido por nossos sentidos - por assim dizer, o mundo concreto -, que está em constante mutação; e um outro mundo - abstrato -, o mundo das idéias, imutável, independente do tempo e do espaço, que nos é acessível somente pelo intelecto.


O mundo da experiência
Para Aristóteles, existe um único mundo: este em que vivemos. Só nele encontramos bases sólidas para empreender investigações filosóficas. Aliás, é o nosso deslumbramento com este mundo que nos leva a filosofar, para conhecê-lo e entendê-lo.

Aristóteles sustenta que o que está além de nossa experiência não pode ser nada para nós. Nesse sentido, ele não acreditava e não via razões para acreditar no mundo das idéias ou das formas ideais platônicas.

Porém, conhecer o mundo da experiência, "concreto", foi um desejo ao qual Aristóteles se entregou apaixonadamente. Assim, ele descreveu os campos básicos da investigação da realidade e deu-lhes os nomes com que são conhecidos até os nossos dias: lógica, física, política, economia, psicologia, metafísica, meteorologia, retórica e ética.

Aliás, ele inventou também os termos técnicos dessas disciplinas e eles também se mantêm em uso desde então. Exemplos? Energia, dinâmica, indução, demonstração, substância, essência, propriedade, categoria, proposição, tópico, etc.


O que é ser?
Filósofo que sistematizou a lógica, Aristóteles definiu as formas de inferência que são válidas e as que não são, além de nomeá-las. Durante dois milênios, estudar lógica significou estudar a lógica aristotélica.

Aristóteles aplicou a lógica, antes de mais nada, para responder a uma questão que lhe parecia a mais importante de todas: o que é ser?, ou, em outras palavras, o que significa existir? Primeiramente, o filósofo constatou que as coisas não são a matéria de que se constituem.

Por exemplo, uma pilha de telhas, outra de tijolos, vigas e colunas de madeira não são uma casa. Para se tornarem casa, é necessário que estejam reunidas de um modo determinado, numa estrutura muito específica e detalhada. Essa estrutura é a casa; e os materiais, embora necessários, podem variar.

Com o tempo, nosso corpo está em constante mutação - transforma-se da infância para adolescência, desta para a idade adulta e, finalmente, para a velhice. Nem por isso deixamos de ser nós mesmos. Da mesma maneira, um cão é um cão em virtude de uma organização e estrutura que ele compartilha com outros cães e que o diferencia de outros animais que também são feitos de carne, pelos, ossos, sangue...


As quatro causas
Para Aristóteles uma coisa é o que é devido a sua forma. Como, porém, o filósofo entende essa expressão? Ele compreende a forma como a explicação da coisa, a causa de algo ser aquilo que é. Na verdade, Aristóteles distingue a existência de quatro causas diferentes e complementares:


Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.

Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção.

Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.

Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor.

Embora Aristóteles não seja materialista (vimos que a forma não é a matéria), sua explicação do mundo é mundana, está no próprio mundo. Finalmente, para o filósofo, a essência de qualquer objeto é a sua função. Diz ele que, se o olho tivesse uma alma, esta seria o olhar; se um machado tivesse uma alma, esta seria o cortar. Entendendo isso, entendemos as coisas.

Mas o pensamento aristotélico não se limitou a essa área da filosofia que podemos chamar de teoria do conhecimento ou epistemologia. Deixando de lado os domínios que deram origem a outras ciências e nos limitando à filosofia propriamente dita, Aristóteles ainda refletiu sobre a ética, a política e a poética (que, no caso, compreende não apenas a poesia, mas a obra literária e teatral).


Ética e política
No campo da ética, segundo Aristóteles, todos nós queremos ser felizes no sentido mais pleno dessa palavra. Para obter a felicidade, devemos desenvolver e exercer nossas capacidades no interior do convívio social.

Aristóteles acredita que a auto-indulgência e a autoconfiança exageradas criam conflitos com os outros e prejudicam nosso caráter. Contudo, inibir esses sentimentos também seria prejudicial. Vem daí sua célebre doutrina do justo meio, pela qual a virtude é um ponto intermediário entre dois extremos, os quais, por sua vez, constituem vícios ou defeitos de caráter.

Por exemplo, a generosidade é uma virtude que se situa entre o esbanjamento e a mesquinharia. A coragem fica entre a imprudência e a covardia; o amor-próprio, entre a vaidade e a falta de auto-estima, o desprezo por si mesmo. Nesse sentido, a ética aristotélica é uma ética do comedimento, da moderação, do afastamento de todo e qualquer excesso.

Para Aristóteles, é a ética que conduz à política. Segundo o filósofo, governar é permitir aos cidadãos viver a vida plena e feliz eticamente alcançada. O Estado, portanto, deve tornar possível o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo. Por fim, o indivíduo só pode ser feliz em sociedade, pois o homem é, mais do que um ser social, um animal político - ou seja, que precisa estabelecer relações com outros homens.


O papel da arte
A poética tem, para Aristóteles, um papel importantíssimo nisso, na medida em que é a arte - em especial a tragédia - que nos proporciona as grandes noções sobre a vida, por meio de uma experiência emocional. Identificamo-nos com os personagens da tragédia e isso nos proporciona a catarse, uma descarga de desordens emocionais que nos purifica, seja pela piedade ou pelo terror que o conflito vivido pelas personagens desperta em nós.

Tudo isso é, evidentemente, um resumo ultra-sintético do pensamento aristotélico. Sua obra é gigantesca, apesar de a maior parte dela ter se perdido ao longo dos tempos. O que chegou até nós corresponde a 1/5 de sua produção. São notas suas e de seus discípulos que passaram nas mãos de estudiosos da Antigüidade, da Idade Média (parte dos quais em países islâmicos), e que foram reorganizadas pela posteridade.

Bibliografia
"História da Filosofia", Julián Marías, Martins Fontes, 2004.
"História da Filosofia", Bryan Magee, Edições Loyola, 2001.
"Dicionário de Filosofia", Nicola Abbagnano, Martins Fontes, 2000.

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.
Revista Educação

Bossa nova


Chega de saudade

Bossa nova faz 50 anos, expõe o charme de Ipanema e se transforma em produto turístico diferenciado para o Rio de Janeiro
Sergio Adeodato
Banquinho, violão, roda de amigos. Descontração, alegria de um Rio de Janeiro em alto astral. As fotos antigas nas paredes guardam a memória dos áureos tempos; registram encontros históricos. Sentados despretensiosamente à mesa do antigo bar Veloso, na então Rua Montenegro, Tom Jobim e Vinícius de Moraes se inspiraram para compor a imortal Garota de Ipanema – ainda hoje uma das dez músicas mais conhecidas e tocadas no planeta. É ícone de um movimento musical que comemora 50 anos: a bossa nova, marco da identidade brasileira que encanta o mundo, promove o país lá fora e atrai atenções e dólares para o charmoso bairro carioca que preserva a “beleza que não é só minha” e o “doce balanço a caminho do mar”.

Ao longo das décadas, o velho botequim onde antigamente os clientes tomavam cerveja com tremoços e davam guaraná às crianças, passou a se chamar Garota de Ipanema; a rua ganhou o nome de Vinícius de Moraes, e o bairro se tornou cartão-postal obrigatório do Rio de Janeiro, cidade-berço da bossa nova. Oficialmente, o movimento nasceu em agosto de 1958, quando João Gilberto criou uma nova batida ao violão, misturando as raízes do samba à modernidade do jazz norte-americano, em Chega de Saudade. No começo, tratou-se de uma expressão cultural intimista, restrita a noitadas em apartamentos da Zona Sul carioca. Logo a bossa nova deixou os guetos, chegou às boates e bares e ganhou notoriedade. Encontros memoráveis eram realizados no Beco das Garrafas, em Copacabana, foco atual de projetos para a revitalização e a retomada do antigo apogeu. De lá, a turma da bossa nova costumava seguir para o restaurante Fiorentina, no Leme, onde encontrava ídolos como Ary Barroso – o autor de Aquarela do Brasil, um dos clientes mais assíduos, homenageado por uma estátua na calçada à porta do estabelecimento.

Não demorou e o novo ritmo começou a ter grande exposição no exterior, depois de ser incluído na trilha sonora do filme Orfeu Negro, lançado em 1959 pelo cineasta francês Marcel Camus e vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. A partir de 1962, quando os brasileiros levaram a novidade ao palco do Carnegie Hall, em Nova York, o gênero ganhou interpretações de nomes internacionais famosos, como Frank Sinatra e Elvis Presley e conquistou definitivamente o mundo.

Retrato do Brasil no exterior

A bossa nova marcou a imagem do país – suas belezas naturais, suas expressões culturais e, principalmente, o peculiar jeito de ser brasileiro. “Não poderíamos ter um cartão-postal melhor”, afirma Rubem Medina, secretário especial de Turismo do Rio de Janeiro. “É uma marca muito forte e importante, capitalizada pelo turismo”. Tanto assim, que o ritmo cinqüentão foi nesse ano tema central da participação do país na Bolsa Internacional de Turismo (BIT), em Milão. O objetivo foi divulgar a Marca Brasil junto ao mercado italiano, o quarto do mundo e o segundo da Europa que mais emite turistas para os destinos brasileiros.

Dentro do país, diversas ações de marketing pegaram carona nesse aniversário, com lançamento de livros, exposições e shows comemorativos. Na capital carioca, a bossa nova, tombada como patrimônio cultural da cidade, se transformou em atrativo turístico – dos antigos bares onde o ritmo nasceu, às lojas de discos especializadas nessas canções e museus que guardam a sua história e hoje compõem roteiros culturais.

De todos os bairros cariocas, Ipanema é o que mais celebra o estilo de vida e as belezas cantadas por Tom, Vinícius e seus companheiros. Inspiradora, a paisagem pode ser apreciada de vários ângulos. Da Pedra do Arpoador, pedaço da praia freqüentado por surfistas, se avista o morro Dois Irmãos, a Pedra da Gávea e o Cristo Redentor – além, é claro, da imensidão do mar pontilhado por ilhas. No calçadão da sofisticada Avenida Vieira Souto, passarela de artistas globais e seus paparazzi, o carioca se exercita para manter o corpo em forma e a vida saudável. Essas areias, não raro disputadas palmo a palmo, constituem um cenário de várias tribos – da turma GLS em frente à Rua Farme de Amoedo aos jovens do badalado Coqueirão, point de rodas de “altinho” (um bate bola onde só não vale usar as mãos), redes de vôlei e moçada sarada, próximo ao Posto 9 e à Rua Vinícius de Morais.

Reduto de lojas de grife, como as existentes na Avenida Visconde de Pirajá e imediações, Ipanema não esconde o ar blasé que alia descontração e requinte para atrair endereços de charme. Entre os destaques, está o luxuoso Hotel Fasano, à beira da praia, no Arpoador, ambientado na bossa nova. Vizinho ao lobby funciona o restaurante Fasano Al Mare, criado há um ano por Rogério Fasano com especialidade em frutos do mar ao estilo mediterrâneo. A iniciativa arrasta novos projetos de sofisticação, como o Banana Café, tradicional ponto de encontro carioca dos anos 1980 e 1990, que reabriu em Ipanema sob o comando do chef Ronaldo Canha.

Atração turística

No aniversário dos 50 anos, a força da bossa nova dá asas à imaginação, com impactos no turismo. O escritor Ruy Castro, especialista na história desse movimento genuinamente nacional, costuma dizer que a bossa nova não pode ser condenada ao passado. “Ela está em todos os lugares, dentro e fora do Brasil”, afirma o autor, que lançou em 2006 o Rio Bossa Nova – um guia para o turista carregar debaixo do braço nas andanças pela cidade. Da Rua Nascimento Silva 107, famoso endereço de Tom Jobim, em Ipanema, ao apartamento da cantora Nara Leão em Copacabana e aos antigos redutos da boemia carioca, o tour reúne atrativos agora redescobertos. Alguns desses lugares, ao longo das décadas, mudaram de função ou, engolidos pela modernidade urbana, já não existem mais. Outros continuam de pé e se revitalizam. Revigorada, a bossa nova ganha espaço entre cantores e compositores da atual geração e, no rastro do turismo, deixa de ser apenas nostalgia. Chega de saudade!

Revista Host

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Como identificar se o seu filho é um superdotado



Manual produzido pela Secretaria da Educação de São Paulo ensina professores da rede pública a identificar um aluno superdotado em sala de aula - e as mesmas regras servem para os pais
Laura Lopes
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo lançou, em dezembro, o manual Um Olhar para as Altas Habilidades, que será distribuído aos professores da rede pública de ensino a partir de janeiro de 2009. A publicação ensina os docentes a identificar, em sala de aula, um aluno superdotado, com altas habilidades em alguma área, e fala sobre o que fazer para que seu talento seja desenvolvido. A organizadora, Christina Cupertino, psícóloga, enumera as principais características desses alunos, dá dicas de que tipo de comportamento é preciso observar e conta a experiência de outros professores que conseguiram fazer essas crianças e adolescentes desenvolverem suas habilidades.

O trabalho começou há um ano e meio, quando a Secretaria formou 270 docentes capazes de identificar tais alunos. Desde então, por meio do programa "Caça-Talentos", o número de alunos superdotados matriculados nas escolas públicas paulistas pulou de 97 para 397. Isso não quer dizer que o número de gênios está aumentando, mas que eles estão sendo identificados pelos professores. "Superdotado não é aquele estudante que tem facilidade de memorizar fórmulas e decorar datas, como a maioria pensa", afirma Maria Elisabete da Costa, diretora do Centro de Apoio Pedagógico Especializado (Cape), órgão da Secretaria responsável pela capacitação dos professores. "Ele é aquele que combina sensibilidade, criatividade e capacidade de criar e propor soluções novas para problemas na sala de aula".


Crianças superdotadas têm:


-alto grau de curiosidade
-vocabulário avançado para a sua idade
-liderança e autoconfiança
-grande interesse por um assunto e especial dedicação a ele
-ótima memória
-criatividade
-facilidade de aprendizagem
-alfabetização precoce
-excelente desempenho em uma ou mais disciplinas em comparação a seus pares
-habilidade para adaptar ou modificar idéias
-facilidade em fazer observações perspicazes
-persistência ao buscar um objetivo
-comportamento que requer pouca orientação do professor

Crianças que não são identificadas precocemente mostram-se:



-desinteressadas pela escola
-vulneráveis a críticas
-com problemas de conduta, como indisciplina
-questionadoras das regras










Algumas crianças podem ser precoces e parecer ter altas habilidades até os oito ou noves anos - quando acabam por se igualar aos colegas de sua faixa etária. Se esses talentos persistirem depois dessa idade, é muito provável que se trate de um superdotado. Por isso, alguns cuidados na identificação podem evitar confusões.

O superdotado apresenta três características, que devem ser freqüentes e duradouras, assim como a intensidade, persistência e consistência. São elas: habilidade acima da média, criatividade e compromisso com a tarefa.

A criança apenas precoce apresenta só um desses comportamentos (normalmente a habilidade).

A criança superdotada está sempre acima da média, enquanto a precoce se ajusta à média em algum momento da vida infantil.

As altas habilidades estão em várias áreas, não só no desempenho acadêmico ou científico.

Uma corrente pedagógica diz que não existe escola ideal e que as crianças superdotadas devem permanecer em classes regulares, estando adiantadas ou não. No entanto, o professor deve saber identificá-las e propor atividades extras.

Não se deve sobrecarregar o superdotado com tarefas, mas sim acompanhar e oferecer subsídios para o desenvolvimento de seu potencial - lembrando que as atividades não devem estimular apenas o potencial identificado. Mesmo que a criança goste de matemática, por exemplo, o ideal é incentivá-la a estudar português e praticar esportes, por exemplo;

Não transforme a criança num pequeno adulto, mesmo que ela seja excelente artista ou aluna.

Decidir se a criança deve pular ou não um ano na escola deve considerar também a maturidade, e não apenas a habilidade do aluno. Por isso, considere com cuidado a possibilidade de aceleração porque a educação não é apenas o conteúdo, é formação e vivência.

Não incentive a competição.



Fonte: Um Olhar para as Altas Habilidades - Construindo Caminhos, da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo

Revista Época